Tentava acalmar a frustração em que vivia, na vida profissional, enchendo a casa com as suas criações que durariam muitas vidas. Cada trabalho tinha um segredo, nenhuma cómoda ou secretária se abria sem que o segredo fosse descoberto. Nenhuma caixa se revelava sem que o mistério da sua abertura fosse explicado por Jaime. Era a sua marca.
Na empresa mostrava os seus dotes quando alguma remessa era recusada devido a defeitos de fabrico. Noutras ocasiões eram milhares de francos que se desperdiçavam, com a chegada de Jaime à empresa a solução tinha sido encontrada. Durante semanas Jaime era solicitado para "engomar" as portas como ele tinha sugerido ao ver as amolgadelas .Com paciência de artista ele utilizava o ferro de engomar para fazer com que a madeira voltasse à forma original sob o efeito do calor. Com um simples ferro de engomar a reputação de Jaime percorreu a empresa como notícia de jornal e acertou o seu destino até à idade da reforma antecipada pela doença. Foi respeitado por chefes e colegas que o elegeram para ser seu representante, Jaime nunca deu no entanto grande importância a essa tarefa. Nunca fora homem de discussões em cima da mesa, de debates sem fim. Era um homem de acção, entregava-se de corpo e alma aos seus projectos e por vezes sem medir as consequências.
Ele fugira da miséria do interior do seu país e viajara na ténue esperança de saltar de vez para além do muro da miséria. Arrastou consigo o carácter integro, quase rude, do aldeão, mas perante as suas obras ele sorria com enlevo .