sábado, 16 de janeiro de 2016

Um encontro

No meio da confusão de um átrio de escola, descobri o teu olhar que espreitava por detrás de uns óculos gigantescos! Ainda hoje não consigo compreender o motivo daquele  prolongado cruzar de olhares... o meu mundo parou por uns momentos. Senti um misto de bem-estar e inquietação. Como que a responder a um chamamento mudo, a tua cabecita girou sobre o teu ombro direito e o sorriso fixou-se em mim  por segundos. o ruído de fundo desapareceu, o tempo parou, mas por fim a tua atenção concentrou-se novamente nas actividades que estavas a fazer com os colegas e esqueceste-me. O calor suave que senti no meu peito dissipou-se, enquanto alguém me falava da tua vida de criança, em pinceladas curtas e rápidas. Parecias uma menina feliz. Mas quem serias tu pequenina!? Fizeste algo acontecer enquanto eu atravessava o átrio da escola onde trabalhava. Uma maravilhosa experiência que derreteu o meu coração, habitualmente indiferente a pessoas estranhas. o teu suave e talvez tímido sorriso fez esquecer os óculos de lentes grossas e enormes que quase tapavam o teu olhar, um pouco perdido, e a tua face de anjo.
Quem eras tu pequenina para mergulhares sem aviso na minha memória? Serão momentos assim, os sinais intemporais da vida que deveríamos agarrar com a força de quem vai naufragar? Instantâneos  que se vão escrevendo  na tela e na teia que antecede o futuro.

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